Salve, salve papagaios paradoxais!!!
Para cada dor um samba, cada samba um amor!! assim, assim, como quem diz cada minuto que passou foi mais um gole de vinho ou mais um trago de mato. Isso num pareçe bem clichê? Talvez sim, ou talvez faça chuva ou faça sol. PARA NÓIA ou segue em frente, segue o ponteiro, segue o rio. Ah iá iá se o tropical fosse pra você, se alguém for teu, se teus olhos me chamarem, me diz iá iá se o dia vai ser escuro se noite vai ser de Lua Bonita. Pois Os Facistas me deixaram passear, as velhas senhoras me cortejaram, os bêbados e donos da noite se curvaram. Sentado do outro lado ouvi você proclamar, eu vi você na chuva, eu vio os cachos, nachos, rachos eu senti aquela velha sensação de ser, de estar, de sua pele. é só mais um dia iá iá, ou mais uma noite.
sexta-feira, 20 de março de 2009
O casamento
A cadeira estava posta no meio da sala escura, esperando por ele. Ao redor tantas lembranças... Objetos deixados a esmo debochavam dele. Obrigavam sua mentem a recordar de momentos que não queria mais lembrar. Passou pelo armário, as portas abertas deixavam à vista aquele vestido que ela gostava de usar em ocasiões especiais. Tremendo, passou a vista pela escrivaninha e encontrou as cartas que já tinha decorado cada linha. Uma lágrima escorreu... Foi à cadeira e pegou o moletom que ela usava para dormir nas noites de frio. Cheirou. E com o perfume veio a dor. Olhou pela fresta da janela, por onde passava o único feixe de luz que iluminava o local. Perdeu-se, no último banho de chuva que tomaram juntos. Ela sorridente correndo de um lado pro outro, fugindo dos abraços molhados de seu melhor amigo. Até que ele a alcançou. Ela o fez prometer que seriam amigos para sempre... A dor voltou novamente. Inclinou a cabeça um pouco para a esquerda e achou a churrasqueira, onde varias vezes se reuniu com os amigos. E ela sempre olhando para outro rosto, para outros olhos. Nunca o seu. Ele odiava aquele olhar. O olhar que deveria ser seu. O mesmo olhar que ele sempre deu para ela nos últimos 15 anos, e nunca fora percebido. Afastou-se da janela, jogando seu corpo de volta para as trevas que ele mesmo havia criado. Lembrou-se do conselho que tinha ouvido da sua irmã. “Vá para Londres. Aqui não tem nada para você. Ela nunca será aquilo que você quer que ela seja.” Mas não, ele não foi. E recusou todas as outras oportunidades que lhe foram oferecidas, sempre na esperança de que aquele olhar lhe fosse ofertado de bom grado. Dirigiu-se até a cadeira, pegou seu paletó preto, vasculhou o bolso esquerdo. Tirou o convite que lhe fora entregue pessoalmente a 2 meses atrás. Leu. Mas a única palavra que conseguiu assimilar foi casamento. Por trás do convite, no mesmo envelope, puxou a carta que acompanhava. “Obrigada por ter aceitado ser meu padrinho. Você não sabe o quanto isso significa para mim. Assinado: Sua eterna amiga”. Nessa hora o 38 prateado pesou em sua mão esquerda, lembrando do compromisso que havia assumido para si mesmo naquela manhã antes de sair da sua casa e ir para casa dela. Guardou o envelope no mesmo bolso esquerdo de onde ele havia saído. Sentou na cadeira, afrouxou um pouco a gravata, respirou fundo, abriu o tambor da arma reluzente, conferiu a munição. Um estampido ecoou pelo quarto. O sangue quente escorria pelo chão, criando um quadro macabro. Do lado do seu corpo sem vida, a arma brilhava. E ao mesmo tempo, em outro lugar os olhos dela brilharam exatamente do mesmo jeito. Quando ela disse sim no altar.
domingo, 8 de março de 2009
Uma noite bem dormida!
Solidão gostosa, visceral, incansável, permissiva, impune, carinhosa, impulsiva, angustiante... Cobre-lhe com seu abraço afável, porém fugaz. Uma inquietude a acompanha como querendo atenção. Desejando um carinho que sentiu outra noite. Um carinho puro, infantil, simples, quase que sem querer. Mas que abalou tudo... Mudou tudo... Abriu as cortinas e deixou a luz do sol entrar, e um aroma de jasmim se fez sentir outra noite quando a lembrança voltou. A caminho da banca de jornal para comprar um cigarro.
Nada demais aconteceu. Nada que os olhos alheios e curiosos pudessem enxergar. Mas aconteceu. O inesperado aconteceu. Uma ligação foi feita. Amenidades foram ditas. E o convite foi feito. Dormiu como uma criança... E acordou mais criança ainda. Andou na chuva. Deixou-se molhar pelas gotas matutinas que caiam. Não se importou nem um pouco com as pessoas apressadas, as buzinas e o transito eufórico que se formava naquela manhã. Aquela manhã... Cinza, cheirosa, preguiçosa. E o caminho se fez até sua casa. Ele prestou atenção em cada detalhe, como uma criança que via o mundo pela primeira vez. Saboreando cada cor, cada forma, cada cheiro tão banal e tão comum que lhe era apresentado todo santo dia. Mas de que alguma forma se mostrava inteiramente novo, formidável.
Porém, poucos dias depois a solidão gostosa, visceral, incansável, permissiva, impune, carinhosa, impulsiva, angustiante se instalou em seus olhos mais uma vez. Ficou esperando a ligação, as amenidades, o convite... Mas nada aconteceu... Então ele fecha os olhos e lembra da voz, do cheiro, do gosto dela...
E a cortina se abre de novo deixando o sol entrar...
Nada demais aconteceu. Nada que os olhos alheios e curiosos pudessem enxergar. Mas aconteceu. O inesperado aconteceu. Uma ligação foi feita. Amenidades foram ditas. E o convite foi feito. Dormiu como uma criança... E acordou mais criança ainda. Andou na chuva. Deixou-se molhar pelas gotas matutinas que caiam. Não se importou nem um pouco com as pessoas apressadas, as buzinas e o transito eufórico que se formava naquela manhã. Aquela manhã... Cinza, cheirosa, preguiçosa. E o caminho se fez até sua casa. Ele prestou atenção em cada detalhe, como uma criança que via o mundo pela primeira vez. Saboreando cada cor, cada forma, cada cheiro tão banal e tão comum que lhe era apresentado todo santo dia. Mas de que alguma forma se mostrava inteiramente novo, formidável.
Porém, poucos dias depois a solidão gostosa, visceral, incansável, permissiva, impune, carinhosa, impulsiva, angustiante se instalou em seus olhos mais uma vez. Ficou esperando a ligação, as amenidades, o convite... Mas nada aconteceu... Então ele fecha os olhos e lembra da voz, do cheiro, do gosto dela...
E a cortina se abre de novo deixando o sol entrar...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Folia do Bobo Da Corte

Hoje começa a maior expressão da cultura brasileira: o Carnaval. Festa das mais variadas vertentes, com força maior no Nordeste, apesar da mídia tentar empurrar o Rio goela abaixo. Não que lá não seja uma expressão cultural, mas a forma como ela é manejada a algum tempo é que não encanta mais, sempre servindo a interesses comerciais. Coisa que numa parte de Salvador também aconteçe, salvando-se os Ylê Ayê e Filhos de Gandhi da vida. Mas, enfim, quero me reportar a Olinda, senhora da maestria carnavalesca de atributos populares de extrema grandeza, que faz o folião sertir-se numa democracia carnavalesca. E do alto de suas sacadas imperiais, eis que surge o Bobo da Corte (como assim gosta de se pronunciar) Alceu Paiva Valença.
Advindo de São Bento da Una, ele tomou Olinda como palco dos seus suspiros e bemdizeres. Comandante maior da folia democraticamente pernambucana, num me "Chejo Já" da Alegria, fazendo da festa um "Bom demais".
Lançando do alto o tom maior de um verdadeiro trovador, um autêntico "Papagaio do Futuro". E assim deixo aqui disponível o albúm Estação da Luz, lançado de 1985, num trabalho extremamente enraizado pelo frevo e maracatu rural de Pernambuco. Boa folia senhoras e senhores papagaios!!
Germano Gomes
Revisão de texto: Gustavo Vieira
Download Aqui
http://www.4shared.com/file/88612895/5f7bcbff/Alceu_Valen_a_-_1985_-_Esta__o_Da_Luz_wwwrsmp3com_.html?dirPwdVerified=6fdf8f5e
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
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