terça-feira, 16 de junho de 2009

Capítulo 1

- Estou indo!

- Pois bem, vá. Mas não se esqueça de nada, para não usar como pretexto para voltar mais tarde.

E a porta se fechou, como tantas outras vezes. Mas dessa vez mais firme, como se nunca mais fosse abrir de novo. Fez sinal para o táxi que dobrava a esquina.

- Por favor, o senhor poderia me deixar no Louvre.

O taxista fez um sinal positivo e virou a esquerda na Avenue Daumesnil, entrou na Rue de Lyon seguindo para Bastille. De sua casa para o Louvre era aproximadamente 13 minutos de carro, uma viagem curta, porém tempo suficiente para repassar toda a conversa, toda a discussão. Eles tinham se casado muito novos, namoraram apenas um mês antes da proposta feita por Alejandro para a Sophie. Mais curto ainda foi o desejo que se tornou vontade que ela tinha de voltar para sua cidade. Paris. Alejandro odiava aquilo. Um povo frio, um bando de metidos julgava. Preferia mil vezes ter voltado para o Chile, ou pelo menos ter ido morar em um lugar neutro. Novo para os dois. Mas de bom grado aceitou o pedido de sua recente esposa, e logo depois da lua-de-mel em Barcelona foram morar no apartamento que comprará, uma semana depois já estava muito bem instalado no escritório de arquitetura que seu amigo Juan lhe sugeriu.
Foram dois anos bons, pensou. Apesar de não gostar muito dos Europeus, a postura globalizada da empresa obrigava a Alejandro lidar bem mais com outras nacionalidades do que com seus mais novos compatriotas. A vista da Galerie Commercial Carousel Du Louvre o fez despertar de seus devaneios. Pagou a corrida e desceu com a pouca bagagem que trouxe. Viu a multidão de turistas que naquela hora da manhã se aglomerava em frente à pirâmide. Sentou em um dos bancos e esperou. Olhou para o relógio e viu que estava uma hora e meia adiantado.

Continua ...

domingo, 7 de junho de 2009

“Quero sempre o vôo mais alto, a vista mais bonita, o beijo mais doce. Tenho um coração que quase me engole, uma força que nunca me deixa e uma rebeldia que às vezes me cega. Tenho um jeito de viver selvagem, mas sou manso com quem merecer. Não gosto de café morno, de conversa mole, nem de noite sem estrela. Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante. E me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E me agarro no meu sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia e não quer grades nem cobranças, às vezes me deixa sem rumo, com uma interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo?
Por isso, eu te peço (de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solto. Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente. Desconfiado e independente.”

Fernanda Mello

sábado, 6 de junho de 2009

É só essa multidão que esbarra e esbarra em meus ombros
em alguns anos, terei os ombros esculpidos pela solidão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Trechos de cartas imaginárias

Será que, às vezes, a gente vai com tanta pressa ao encontro de alguém que se esquece de se levar junto? Será que o Sol, quando é muito forte, faz a sombra chegar primeiro do que a gente?

Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo?

Há sempre alguma janela nas paredes,ainda que pequenina

Hoje eu comprei sementes de girassol. Há isso de extraordinário no mundo. Quando alguém se sente só ou com saudade de outrem pode comprar sementes de girassol para vê-lo crescer. Se me ocupo da semente é porque escuto o seu silêncio. O silêncio com que ela abraça, tão brandamente, o seu grãozinho de terra.

Nenhum amor floresce preso numa casa, sem contemplar, por instantes, a luz de uma tarde... Então, guardei aquela fotografia por dentro dos meus olhos para quando eu olhar você. E você, como sempre, não me responder palavras, não me escrever palavras, mas quando o sol for sumindo, me estender sorrindo o seu cachecol xadrez.

Sabe, acho que ninguém vai entender. Ou se entender não vai aprovar. Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for um bom menino, eu vou lhe dar um chocolate. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, corre para bem longe de você? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de abandono, e corre em direção aos braços mais quentinhos. E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Na minha opinião, é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro.

Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?

Então, quando você me beijar,vai sentir o gosto da minha escrita,pois a fim de nunca esquecê-las eu trago todas as minhas palavras na ponta da língua

— E você, por que desvia o olhar?(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


Rita apoena
Instruções para se apaixonar:

Encha o peito com mais de trezentos suspiros,
quando estiver bem levinho,
solte as amarras
e flutue.
Rita Apoena.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe.

Charles Chaplin