segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Quanto mais fecho os olhos melhor vejo;
o dia todo vi coisas vulgares;
mas quando durmo em sonho te revejo;
pondo no escuro luzes estrelares;
tu, cuja sombra faz brilhar as sombras;
pois tanto brilho no negror produzes?
Como podem meus olhos abençoados;
assim te ver brilhar em pleno dia;
quando na noite escura deslumbrados;
dentro de fundo sono eu já te via?
Meu dia é noite quando estás ausente;
e a noite eu vejo o sol se estás presente."

Possível poema de William Shakespeare

...

Quero olhar pro lado e não consigo! Eu odeio isso! Quis dar a cara à tapa várias vezes e não consegui, quis te dizer e me faltou coragem. Quis me entregar a você, e a única coisa que consegui foi me entregar a esse sentimento mesquinho de posse... De te querer, possuir a cada noite, a cada olhar, a cada copo virado. Pensei que tinha passado. Hahaha! Como sou idiota!O que me falta agora? Acreditar em Papai Noel! O fôda não é sentir o que sinto! É olhar os teus olhos e não entender o que sou! Fico o tempo inteiro pensando! Porra, eu sou assim! Eu sou o que você tanto quer!!! Olha para mim!!! Não desse jeito! Não com esse olhar de carinho meigo, de melhor amigo. Me olha com desejo, com fome! Do mesmo jeito que te olhei tantas vezes disfarçadas e você fingia não ver! Então fico aqui esperando o tempo me curar. Me trazer uma solução. Uma solução que já procurei por todos os cantos. E pensei até que já tinha achado. Mais não adianta... Quanto mais tempo passa mais vejo que o que eu crio para mim mesmo é só ilusão inútil de dizer que não te quero. Que não te desejo. Que não te amo. Enquanto isso vou esperar. Um começo, um fim, uma solução! E sofrer com a escolha que fiz! Estar onde eu estou....

domingo, 9 de agosto de 2009

Quase Sem Querer - Legião Urbana

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança, oh! oh!
A ponto de saber tudo...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você...

Oh! Oh! Oh! Oh!...

Saber Amar - Paralamas do Sucesso

A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio


Saber amar
É saber deixar alguém te amar

sábado, 8 de agosto de 2009

O Centro

Uma noite, um show, amigos, uma caminhada à noite no centro da cidade. Músicas de congressos entoadas a todo pulmão em frente a um quartel. Na hora em que só os ratos e baratas urbanas escultam. E a caravana segue seu rumo, esquecendo tudo e por tudo esquecida. Muito do que você leu até agora não faz o menor sentido. Lógico que não vai fazer… Você não estava lá… Você não estava dentro da minha cabeça… Você não estava sob o efeito da cerveja gelada vendida a R$ 2,00 pelos alunos da UFC. Você não viu os rostos que eu vi, você não escultou as palavras que eu disse naquela noite, muito menos me disse palavras para eu escultar. Você não escutou o refrão, você não pulou ritmado junto a todas aquelas pessoas que estavam naquela praça. Você não voltou no tempo como eu voltei, a isso eu garanto... Voltei a ser quem eu era. O que eu tanto desejava aconteceu, com um olhar, com um cheiro de fumaça, com uma sexta-feira tão comum e inocente. Com os mesmos amigos de sempre, com a mesma música que já escultei tantas vezes… Mas tudo diferente, melhor, mais palpável, mais cheiroso. Eram só eu, a rua mal iluminada do Centro, a Catedral, alguns conhecidos, muitos outros desconhecidos e uma garrafa de cerveja em minhas mãos… Agora eu sei, que não importa o que aconteça daqui para frente, sempre terei certeza, que sempre vai existir uma caravana andando tarde da noite pelo centro da cidade. E que dentre esses seres errantes da noite sempre haverá alguém que vai se sentir como eu me senti. E sempre será entoado a todo pulmão: “Eu já falei, vou repetir / Eu já falei vou repetir…”

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Favores

A ideia de hoje foi te pedir um favor. Eu escolheria algum texto que gosto muito e você leria pra mim. Sem oi, sem tchau, sem coisas feitas ou a fazer. Nada de você, nada da sua vida. Nada que constate a sua existência independente. Apenas a sua voz. Esse é só um dos absurdos que passam pela minha cabeça quando me salta você no peito. Como se meu coração fosse uma dessas caixinhas surpresas e você o boneco de mola pra assustar crianças. Elas se assustam mas riem e abrem de novo e de novo. Acabei de ver Santiago, o documentário, e tive um acesso de choro daqueles. Ele escreveu sobre toda a aristocracia do mundo e isso arrasou comigo, amor. Arrasou. Ele era o garçom das festas, que você chorava. Uma pessoa que servia feliz a uma beleza triste. E no final, não sei se você viu o filme, mas ele quis contar algo pessoal e apressaram ele, cortaram, o que ele realmente queria dizer não tinha importância. E quase, quase quis te pedir um favor. Mais uma das minhas ideias. Pra você, por alguns minutos, só enquanto eu chorava demais, pra você fazer de conta que abismos não existem. E não existem mesmo, nesses segundos descabidos das horas que não entram no dia. Porque agora, nesse segundo que corri aqui pra te escrever, nesse momento não existe essa coisa de dia e de dois meses exatos. Existe só que vamos todos morrer então pra que mesmo o orgulho de sair ileso mais um dia. Mais um dia ileso. Como se não fosse cheios de feridas que raspamos com as costas das mãos as nossas roupas de guerra e dormimos em paz. Outro dia tive uma ideia. A cada doze dias, perto das onze horas da noite, eu chegaria sem dizer nada e você também não poderia dizer nada. E então a gente só ficaria se lambendo um pouco. E aqui não tem nada de erótico não, é bonito isso que eu quero dizer. E depois acabava mesmo. E a cada doze dias de novo. E isso seria um contrato já que meu doentinho daqui da cabeça quer tanto. Pro resto da vida. E tudo bem pra você, vai. Sim, seria um contrato, mas olha que maravilha os outros doze dias sem nada. E seria só por uma hora. Então, tudo bem. Acho que você assinaria. Hoje eu estava no estacionamento do aeroporto e fiquei seguindo as plaquinhas de saída e vi que é isso que faço melhor do que ninguém. São tantas as coisas que eu queria te falar e contar. E eu sigo fantasiando que você entende tudo e melhor que todo mundo. E isso acaba comigo mas, ao mesmo tempo, me tira um pouco da chatice burra e apática de sempre. E então, me vem a ideia de realmente te contar as coisas. E por isso escrevo. Porque se você entra aqui pra ler é você que, com todo o meu amor que você nem imagina, consegue sentir como sendo seu. E então é mesmo essa coisa maluca de eu me livrar do que eu nem sei se sinto pra você, sem nem saber se sente, sentir o que já estava aí esse tempo todo. A troca do absurdo. Nisso trocamos. O absurdo. Hoje eu perguntei a um amigo. Você era feliz com ela? E ele disse: eu era muito feliz com ela. E muito triste. Sem ela eu não sou nem uma coisa e nem outra. Eu sorri e disse pra ele: eu prefiro a vida assim. Ele disse: prefere mesmo? Eu disse, comendo um pão de queijo: não, não prefiro, mas pelo menos, assim, eu consigo estar aqui com você pesando mais de quarenta quilos. São, sei lá, duas e pouco da manhã. Passo boa parte de tudo sem doer, sem sentir tão forte. Às vezes nem parece que aconteceu. Mas o tempo todo, ainda, converso e te mostro tudo, o tempo todo. O tempo todo. O tempo todo. Não porque sou sozinha. Não porque era menos sozinha com você. Apenas porque apenas. Lê pra mim um texto. Com a luz apagada. Quando alguém liga eu fico cheia dos risinhos idiotas porque tiro sarro de quem tenta falar algo e não sai como sairia se fosse você. O maior elogio que eu poderia fazer a uma pessoa era dizer assim: gosto de você além da minha imaginação, não porque aprendi a gostar, mas porque por mais que eu sonhe, você é ainda melhor que o sonho. Você é além da minha capacidade em te imaginar. E eu jamais te diria isso. Não posso te fazer esse elogio. Mas olha, ainda assim, olha eu aqui de novo. Porque você não é melhor que a minha imaginação, você não é melhor que a minha esperança, você, pra falar a verdade, é bem ruinzinho. Mas é isso. Um filme com o maluco do fraque e das castanholas me emociona e pronto. O boneco salta da caixinha e espanca meu peito com cabeçadas duras e olhar macabro. A hora que não entra no dia. E eu mais uma vez preferindo não sair ilesa pra me sentir menos machucada. Você pode, a cada doze dias, ler um texto, a língua, brincar do não abismo, qualquer coisa, só ler, continuar assim, só ler, não me esquece, por favor. Eu nunca vou esquecer você. Eu não soube o que fazer com você, mas sei o que fazer com o não você. Isso eu sei fazer e faço bem. Lembrar que era terrível e incrível. Terrível, meu amor, como poucas (ou nenhuma) coisas foram. Mas absolutamente incrível.


Tati Bernardi