sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Perpétuo.

Acabou que ele não levou mais nada de mim. levou o colchão,
um vaso de porcelana que eu tanto gostava e o gato, que era dele de fato.
me deixou sem pé no chão por tanto tempo que agora tinha levado o meu chão
de taco de madeira de vez. Me levou o teto que eu tanto usava pra me
proteger do medo, o calor da casa que eu corria a abraçar depois de um árduo dia,
levou o peso que meu seio amparava quando ali ele deitava a cabeça para então de
discursar o próprio dia arduo, discurso esse que ele também me tomou. Me levou também
aquele copo de leite que sempre me esperava em cima da mesa toda manhã,
aquela carta enviada as escondidas que eu recebia mes sim mes nao,
nunca mais ganharei um nova rosa todo dia 21 de março.
Levou meu beijo e meu sexo matutino. Levou embora os ideais com o qual não me identificava,
o ronco que eu detestava, as cuecas e meias sujas pela casa. Escafedeu-se
o banheiro molhada, as toalhas no chão...

Ultra Leve.

Tchau e benção para a normalidade, que ela não passa de hoje.
Eu canto, eu danço, eu brigo, eu beijo cada oportunidade de um
segundo feliz. É pela rua que eu corro, e pelos braços que eu
abraço, não quero minuto por minuto, eu quero momento por momento.
De um asfalto para uma praia, de uma praia para quatro paredes, esse
é o hoje, o amanhã já nem sei mais. Assassinei a rotina, aceito qualquer
proposta. Qual é a sua? Qual é a minha? Nem eu sei, você sabe? Não saiba.
Seja certo nas incertezas, incerto nas certezas, é intenso, é imensa
a alegria. Diga sim para cada samba,aceite cada carinho, compartilhe
cada sorriso, ria de cada abismo. Sou eu, mais que eu, é o frio na
barriga que diz sim.
Eu torço pra que seja assim, vem ser comigo, diga sim. Só pra mim. Sim?
É o tum tum das pernas bambas depois de tudo. É tudo, mais que tudo,
que aceito de peito aberto, e pro seu Oswaldo da bodega do dia sim, dia não,
ou todo dia, quem sabe o amanhã? Aquele abraço!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Despedindo-se da capacidade de se importar

Cansei… Desisti… A partir de agora estou abrindo mão daquilo que acreditava ser certo. Se não pode vencê-los, juntes se a eles? Pois bem, que assim seja… Insisti de mais… Está na hora de perceber que fui derrotado, não agora mas a muito tempo. Espero que entendam, meus amigos. Mas essa decisão já foi por demais adiada. Não tenho mais forças de lutar contra a maré, contra mim mesmo. Como disse Del Close "Obrigado Deus. Eu estou cansado de ser a pessoa mais engraçada na sala." Como o palhaço que tem a obrigação de chorar, desejar, e esperar por trás de uma mascara ilusória, criada pra trazer satisfação para quem ver, mas não para quem usa. Estou cansado de me esconder de mim mesmo. Estou cansado de me importar… Se importar… Com o quê? Com quem? Nunca foi uma questão de egoísmo, ou a falta dele. Mas sim, de percepção. De como se vê as pessoas, as situações, um trocar de olhares.. As entrelinhas ténues que se estendem por uma festa lotada e se perpetuam no dia seguinte. Um telefonema as duas da manhã, uma ida ao aeroporto… Uma noite mal dormida… Estou cansado disso tudo… Estou cansado de tentar conseguir tudo… De desejar, de esperar, de desejar mais um pouco… De olhar e ver algo que, por mais real que seja, não é aquilo que queria ver. Criei um mundo ao meu redor, um mundo que nunca existiu… Um mundo que, podia me devolver um olhar… Mas ele não existe… Nunca existiu… A realidade o destruiu… Antes mesmo que ele tivesse forma. “Mas algo aconteceu. Eu deixei pra lá. Perdido no esquecimento. Escuro e silencioso e completo. Eu encontrei a liberdade. Perder todas as esperanças é liberdade…" Agora, vou seguir os passos que a realidade propõem. Chega de romance, chega de desejos, chega expectativas. Amigos serão amigos… Uma festa será uma festa… Um telefonema será um telefonema… As palavras ditas serão aquilo que elas significam. E eu me tornarei… a completa falta de surpresa de Jack…

sábado, 31 de janeiro de 2009

O palhaço da piada.

É segunda feira. Primeiras horas da manhã. Dia claro. Chega um cara no escritório de um psiquiatra. Ele está visivelmente acabado. Barba por fazer, cabelos loiros desgrenhados, olhos azuis, claros como água, um olhar de Linda Blair em "O Exorcista", cigarro quase no filtro, calças sujas e rasgadas. Suas pálpebras estão vermelhas de um jeito que não dá pra saber se ele dormiu pouco ou se chorou muito. Por via das dúvidas, parece ambos. Ele espera na sala ao lado, causando na secretária um certo temor que todo suicida em potencial é capaz de causar. Suas mãos tremem. Seus dedos parecem inchados - abuso no álcool, talvez.
Ele entra e já conta qual é o problema:
- Minha vida é uma merda, doutor. Uma merda, uma merda, uma merda. Não consigo encontrar prazer em nada. Não consigo gostar de nada. Olho pro mundo e acho que este não é meu lugar. Estou deprimido, estou morrendo. Acho que já estou morto. Não consigo nem mais sorrir.
O psiquiatra olha para a criatura que tem diante de si e deixa seus olhos deslizarem até a janela. Lá fora, deita o olhar sobre um cartaz do circo e lembra do espetáculo que viu com os filhos, no domingo.
- Meu amigo, eu sugiro que o senhor tire um dias de folga e vá ver o circo. Mais exatamente: assista ao espetáculo do Grande Pagliacci, o maior palhaço do mundo. O senhor vai rir como jamais riu em toda sua vida. Prometo ao senhor.
O homem recolhe o chapéu, resignado e, sem dizer uma palavra, anda em direção à porta.
- O senhor não entendeu, doutor. Eu sou o Grande Pagliacci.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Simply Human.

We're to vain, we're to innocent.
we forgive, we forgive.
We forget who we are. We forgive what we are.
We forget what we are. We don't forgive what we're not.
broken and sold in any yard sale, we sale ourselves to strangers, day after day.
time after time.
We try to forget love. we try to forget love.
we try to conquer everything but love. sex. hot.money.crushing down like
shoot birds in open season. That's our condition. That's our flaw.
That's why we fall, down, down, down in the ground.
And we die, die, die, alone in the dark.
Silence.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O armário que todo boêmio deseja.



Só para rir um pouco.